quinta-feira, 20 de abril de 2023

Feira da Reforma Agrária reúne empreendedores com diversidade de iguarias paraenses

A estrutura foi montada em frente ao mercado de São Brás, na praça Floriano Peixoto (Reprodução/Willys Lins)

BELÉM (PA) – Com estrutura montada em frente ao mercado de São Brás, na praça Floriano Peixoto, a 7ª edição da Feira Regional da Reforma Agrária “Mamede Gomes de Oliveira” encerra nesta quinta-feira, 20. O evento é organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em homenagem a um militante da agroecologia assassinado em dezembro de 2012.

A feira reúne diversos empreendedores de vários assentamentos do MST. Com uma diversidade de iguarias sem agrotóxicos, os que visitarem os estandes podem encontrar desde Tucupi preto a produtos de medicina natural.

Para Raimundo Nonato Filho, da direção estadual do Movimento Sem-Terra, no Pará, do setor de produção do MST, a feira regional Mamede Gomes iniciou de duas necessidades básicas. “Uma delas é dos camponeses terem seus alimentos comercializados, sair da mão do atravessador e ter um canal de comércio direto com a sociedade brasileira, e a outra foi do movimento incidir um debate, na sociedade brasileira, dos alimentos saudáveis, do alimento diversificado, dos alimentos produzidos pelas mãos calejadas, daqueles que necessitam da terra, ou seja, a terra para quem nela trabalha e o resultado da produção da qualidade de vida dos camponeses e de se ter boa produção”, disse.

Os que visitarem os estandes podem encontrar desde Tucupi preto a produtos de medicina natural (Reprodução/Willys Lins)

“As temáticas são muito de acordo com a conjuntura política atual que a gente vivencia. Então, a temática desse ano é por terra, democracia e meio ambiente. Terra, que é uma necessidade histórica dos camponeses terem acesso à terra e à democracia, porque nós vivemos um momento de ataque às democracias no mundo inteiro, mais especificamente no nosso País, e nós temos feito um debate importante no sentido de fortalecê-la, de fortalecer o acesso das populações a políticas públicas, ao direito à participação e ao meio ambiente, porque existe, principalmente, na Amazônia, uma voracidade do capital em torno de se apropriar daquilo que compõe o meio ambiente”, afirmou Raimundo.

Raimundo também enfatizou que a dificuldade de manter um evento dessa magnitude, dessa proporção, é a ausência da política pública. “Esse é o fundamental. Não existe uma política pública que dê um amparo, e há condições legais para que a gente faça mais eventos como esse; mas o MST tem feito seus esforços pessoais e uma série de articulações com outras organizações políticas urbanas, com algumas instituições, inclusive, com algumas prefeituras que têm nos apoiado nas nossas ações. Então, um conjunto de articulações que permite a nossa feira aqui na capital”, completou.

Evento é organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (Reprodução/Willys Lins)

Apoio

Por meio da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem), a prefeitura de Belém apoiou a feira e cedeu barracas de lona para abrigar os produtores. 

Para Jane Cabral e Silva, da Coordenação Estadual do MST-PA, a feira é também uma forma de dialogar com a sociedade sobre a causa do movimento. “Estamos realizando a 7ª feira da Reforma Agrária popular, importante evento que o MST traz, anualmente, para Belém. O objetivo é dialogar com a sociedade sobre a luta pela terra a partir da alimentação saudável”, ressaltou.

Empreendedora expondo seus produtos (Reprodução/Willys Lins)

Mamede

Por volta das 17h de domingo, do dia 23 de dezembro de 2012, foi assassinado Mamede Gomes de Oliveira, histórico militante do MST do Estado do Pará, que tinha 58 anos. O “seu Mamede”, como era conhecido, foi morto dentro de seu lote, na região metropolitana de Belém, com dois tiros disparados por Luis Henrique Pinheiro, preso logo após o assassinato.

Nascido no Piauí, ele ainda criança foi para Pedreira, no Maranhão, e logo depois veio para o Pará. Atuou nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), no município de Ananindeua, antes de ir para a ocupação da Fazenda Taba, em 1999. Hoje, assentamento Mártires de Abril. Neste período, se tornou militante do MST.

Foi um grande defensor da Agroecologia, nunca abandonou a luta. Tinha certeza de como faria a sua ofensiva ao capital, e sempre foi um bom dirigente e educador.

Mamede era uma grande referência na prática da Agroecologia e criou o Lote Agroecológico de Produção Orgânica (Lapo), onde desenvolvia experiências de agricultura familiar para comercialização e consumo próprio.

Parlamentares negras do Pará sofrem ameaças de morte; polícia investiga o caso

As parlamentares receberam mensagens com ofensas racistas e ameaças de morte (Divulgação)

BELÉM (PA) – As ameaças recebidas pela primeira deputada estadual a se declarar negra na história da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), Lívia Duarte (PSOL), e a vereadora de Belém Bia Caminha (PT), já estão sendo investigadas pelas autoridades da segurança pública do Estado do Pará e pela Polícia Federal (PF). As parlamentares receberam, no início desta semana, mensagens com ofensas racistas e ameaças de morte.

Trecho da ameaça direcionada à deputada Lívia diz: “você vai visitar Marielle Franco”, vereadora carioca assassinada em 2018. Já a ameaça enviada via e-mail à vereadora petista Bia Caminha afirma que a parlamentar será “eliminada em breve” e se encontrará com Marielle Franco, em uma evidente manifestação de ódio e violência política.

As ameaças denotam o inconformismo pela luta antirracista, feminista e anti-homofóbica empreendida pela deputada desde o mandato como vereadora de Belém – de 2020 a 2022. Em nota, a equipe de Lívia disse que “reivindicar direitos incomoda alguns, que, possivelmente, se sentem ameaçados, de alguma forma, com a perda de seus microespaços de dominação. Preferem que nós permaneçamos subservientes e invisibilizados. E, para impedir a nossa luta, a qualquer custo, alguns fogem ao campo da disputa política, abandonam o bom senso e optam pela criminalidade”.

Deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) sofre ameaças de morte (Divulgação)

Militância

A deputada estadual tem se posicionado duramente contra os atos criminosos e antidemocráticos registrados no dia 8 de janeiro deste ano, em Brasília (DF), quando foram invadidos e depredados o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e a sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela também atua nas pautas e direitos ligados às minorias políticas, como mulheres, negros e negras e da população LGBTQIAP+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexuais, Assexuais, sendo que o símbolo “+” acolhe as demais orientações sexuais).

Militante socialista, feminista e antirracista desde os 13 anos, Lívia foi a primeira presidente municipal negra do PSOL, no Brasil, e é fundadora do Setorial de Mulheres do Partido Socialismo e Liberdade. Também é autora do Projeto de Lei (PL) que proíbe homenagens a escravocratas e genocidas em Belém. A parlamentar também criou a Frente Parlamentar de Combate à Fome, que prevê uma série de ações parlamentares voltadas ao combate da insegurança alimentar da população belenense. Desde cedo, milita com o filho nos braços, e a experiência da profusão de tarefas e jornada extenuante acabou por esculpir seu perfil de ativista contra as múltiplas violências que atingem as mulheres, notadamente as negras, desde a mais tenra infância.

Bia Caminha

A vereadora, que é vice-presidente estadual do PT-PA, foi eleita a vereadora mais jovem da história de Belém e mais votada do Norte do País, pelo PT, aos 21 anos, com atuação política em defesa da Amazônia, mulheres, negros e negras, juventudes e da população LGBTQIAP+. A movimentação combativa da parlamentar e militante a tornou alvo de grupos de extrema-direita que, ao longo de sua trajetória política, tentam interromper tudo que a vereadora representa.

Em nota, o Diretório Nacional do PT disse que “a violência política contra mulheres negras e LGBTQIAP+ tem sido arma dos grupos de extrema-direita por todo o Brasil, e que não aceitam que parlamentares como a vereadora Bia Caminha ocupem e existam na política. O Partido dos Trabalhadores (PT) se solidariza e comunica que já está tomando as medidas cabíveis para garantir a proteção da vereadora”.

Bia Caminha, vereadora petista também alvo das ameaças (Divulgação)

Violência política

Pesquisa do Instituto Marielle Franco, divulgada em dezembro de 2020, entrevistou 142 mulheres negras, de 21 Estados, em todas as regiões do Brasil, e de 16 partidos. Do total, 80% das candidatas negras sofreram violência virtual, 60% sofreram violência moral ou psicológica e 50% sofreram violência institucional. Das entrevistadas, 18% receberam comentários e/ou mensagens racistas, ou sexistas, em suas redes sociais, por e-mail ou aplicativos de mensagens e 8% foram vítimas de ataques com conteúdo racista durante transmissões virtuais.

Além disso, 60% das mulheres negras entrevistadas foram insultadas, ofendidas ou humilhadas em virtude de atividade política nas eleições. Em 45% dos casos de violência virtual e moral, a agressão foi feita por indivíduo ou grupo não identificado, o que dificulta denúncias e aumenta a impunidade nos casos desse tipo de agressão.

Dentre as entrevistadas que realizaram algum tipo de denúncia, 70% afirmaram que a denúncia não ajudou no esclarecimento do caso e nem trouxe mais segurança para o exercício da atividade político-partidária.

Marielle Franco

Marielle Franco, ex-vereadora no Rio de Janeiro, foi uma mulher negra, socióloga, com mestrado em Administração Pública. Eleita vereadora da Câmara do Rio de Janeiro, com 46.502 votos. Presidiu a Comissão da Mulher da Câmara. No dia 14 de março de 2018, foi assassinada em um atentado ao carro onde estava. Treze tiros atingiram o veículo, matando também o motorista Anderson Pedro Gomes. O que aconteceu depois é que Marielle tornou-se um dos mais importantes símbolos da luta popular no Brasil.

Nas últimas semanas, em um movimento articulado, houve um aumento na disseminação de mensagens de ódio em todo o País. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do STF, Alexandre de Moraes, afirmou na terça-feira, 18, que o modus operandi dessas mensagens é idêntico ao de 8 de janeiro.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Trabalhadores em condição análoga à escravidão são resgatados no Pará; uma das vítimas tem 14 anos

Grupo era composto por três homens adultos, uma mulher adulta e sua sobrinha (Divulgação/MPF)

PARÁ – Cinco trabalhadores foram resgatados de suposta submissão a condição semelhantes à escravidão. A operação de resgate aconteceu em uma fazenda próxima ao rio Bacajá, nos limites dos municípios de Senador José Porfírio e Anapu, no Pará. Entre as vítimas está uma adolescente de 14 anos e um bebê de 1 ano e 4 meses.

O grupo era composto por três homens adultos, uma mulher adulta e sua sobrinha, que eram responsáveis por cozinhar para todos em um fogão de taipa. O alojamento de dois barracos cobertos por palha e lonas de plástico foi levantado pelos próprios trabalhadores próximo a uma nascente, onde sequer havia banheiros.

Os trabalhadores não recebiam salários pelo empregador que também proibia a saída do local. Entre os relatos coletados, uma suposta servidão por dívidas foi levantada. “Daqui só sai pagando ou carregado” afirmava o empregador.

Após a operação, os trabalhadores foram encaminhados para as Assistências Sociais dos Municípios em que residem para acolhimento. O fazendeiro quitou as verbas trabalhistas e rescisórias devidas.

Na Justiça

O Ministério Público Federal (MPF) está presidindo a apuração criminal por meio de Procedimento Investigatório Criminal. A fiscalização móvel foi composta pelo Ministério do Trabalho Emprego (MTE), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF) e Defensoria Pública da União (DPU). O grupo de fiscalização móvel ainda vistoriou outras três propriedades rurais no município de Medicilândia, mas não foram encontradas situações de crime contra trabalhadores em nenhuma delas.

Está sendo investigado se a conduta dos responsáveis configura crime de condição análoga a de escravo. De acordo com o código penal, a pena pode chegar a oito anos de reclusão para cada vítima, com agravante em caso do crime ser cometido contra crianças ou adolescentes.

Coerção

Foi relatado ao Ministério Público Federal que os investigados teriam tentado intimidar as vítimas, rondando as casas de seus familiares. Além de terem coagido os trabalhadores antes da ação de fiscalização para que dificultassem o trabalho das autoridades federais e destruíssem possíveis provas. O MPF conseguiu uma decisão favorável na justiça que proíbe os investigados de se aproximarem das vítimas.

Persistência

Apesar das dificuldades de acesso ao local, o que obrigou o grupo móvel de fiscalização a fazer parte do trajeto a pé e transpor rios de balsa. O trabalho de fiscalização se manteve firme, o procurador da República Gilberto Batista Naves Filho avalia a união de esforços dos órgãos públicos federais e a eficiência da fiscalização. “Atuando juntas, as forças federais são capazes de transpor qualquer obstáculo e levar os serviços públicos aos mais necessitados, mesmo nas localidades de mais difícil acesso”.

Semana dos Povos Indígenas traz mostra de cinema para a periferia do Pará

A programação começa nesta quarta-feira, 19, data em que é celebrado o Dia dos Povos Indígenas ( Rodrigo Pinheiro / Agência Pará)

BELÉM (PA) – Como parte das celebrações pela Semana dos Povos Indígenas, a Usina da Paz, no bairro da Cabanagem, em Belém, recebe a mostra de filmes do 1º Festival Internacional de Cinema Indígena da Amazônia. A programação, que é uma realização da Ava Amazônia em parceria com a Secretaria de Cidadania (Seac), começa nesta quarta-feira, 19, data em que é celebrado o Dia dos Povos Indígenas e segue até o dia 23 de abril em todas as UsiPaz de Belém e Região Metropolitanas. 

O 1º Festival Internacional de Cinema Indígena da Amazônia, que tem como objetivo fomentar a produção e formação indígena no cinema, por meio de um espaço inédito de pesquisa, diálogo, conexão e desenvolvimento entre os povos indígenas e o mundo, ocorreu em outubro do ano passado em um circuito presencial e online por meio da plataforma oficial, onde foram exibidos mais de 100 filmes de produção indígena nacional e internacional em mais de 150 países, durante o período de mostra e votação dos melhores filmes. 

Usina da Paz, em Belém, recebe a mostra de filmes do 1º Festival Internacional de Cinema Indígena (Pedro Guerreiro/Agência Pará)

Homenagem

Os vencedores da primeira edição do festival serão celebrados na mostra dedicada à semana dos Povos Indígenas Ava Amazônia, que pretende homenagear os cineastas que se destacaram nacional e internacionalmente no Festival por meio da exibição especial dos filmes vencedores em um circuito cinematográfico inédito nas Usinas da Paz e centros de cultura parceiros.

O lançamento da mostra dos filmes vencedores ocorrerá dia 19 de abril, na UsiPaz da Cabanagem (9h-12h) e Jurunas (18h-21h), e contará com a presença de alguns cineastas vencedores como: Edivan Guajajara e Alessandro Campos, juntamente com mostra dos troféus ecosustentáveis produzidos por artistas amazônidas e feira de artesanato indígena com o Povo Warao da Venezuela. 

Celebrar a cultura e a diversidade

A Semana dos Povos Indígenas tem como propósito celebrar a diversidade das histórias e das culturas dos povos indígenas brasileiros; combater preconceitos contra os indígenas; e estabelecer políticas públicas que garantam os direitos dos povos originários. É também uma oportunidade de se pensar nos avanços que devem acontecer para que os direitos aos povos indígenas sejam integralmente garantidos, mantendo viva as histórias e as culturas dos quase 900 mil indígenas que existem no Brasil. Essa manutenção é fundamental, sobretudo por conta de todo o histórico de desrespeito em relação aos indígenas no Brasil.

Para Jazz Mota, organizadora da mostra, a expectativa do evento é de trazer o olhar, a história, a voz e a cultura Amazônicas reunidas em um panorama nacional e internacional com o que de melhor o cinema indígena tem para oferecer. 

“O compartilhar dessas diversas “Amazônias” nas telas das periferias urbanas, é fundamental para o fortalecimento da nossa identidade e do nosso pertencimento, para que desde pequenos a gente aprenda que a nossa realidade merece sim ser compartilhada e sobretudo que os nossos direitos sejam respeitados, assim como as nossas novas ideias e novos espaços de diálogo e conexão com a nossa ancestralidade”, disse Mota.

Políticas Públicas

Recentemente, afim de ampliar e consolidar as ações do Poder Executivo frente às políticas públicas destinadas aos povos originários, o governador do Estado do Pará, Helder Barbalho, sancionou, no último dia 3 de abril, a criação da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), que tem como sua primeira titular, Puyr Tembé, 44 anos, ex-presidente da Federação Estadual dos Povos Indígenas do Pará e membro da executiva da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira. O ato solene foi realizado no Theatro da Paz, na quarta-feira, 12, em Belém.

A posse contou com a presença da governadora do Pará em exercício, Hana Ghassan; da ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, e de titulares de secretarias dos Povos Indígenas de outros Estados brasileiros. 

“Temos a primeira secretária de uma pasta que tem a missão muito importante de articular e ampliar as políticas públicas para os povos indígenas do Pará. Há muito o que comemorar pelo dia de hoje, em que tenho a honra e alegria de empossar, em nome do governador Helder Barbalho, a servidora Puyr Tembé para uma pasta cuja missão é dar voz ao povo indígena, ampliar os efeitos da luta pelos direitos de reprodução cultural, social e ancestral”, afirmou Hana Ghassan, durante a solenidade.

O anúncio de Puyr como titular da Secretaria dos Povos Originários do Pará foi feito pelo governador, no dia 31 de janeiro. A instalação da pasta já era um pedido da Fepipa e foi anunciada em meio às notícias envolvendo o povo Yanomami, ameaçado pelo garimpo ilegal em Roraima, que mobilizaram ações do governo federal.


Veja a programação completa:

DIA 20/04: 

Terra Firme, das 9h às 12h

Guamá, de 14h às 17h

DIA 22/04: 

UsiPaz Antônia Corrêa (Nova Uniāo/Marituba), de 9h às 12h

UsiPaz Professor Amintas Pinheiro (Icuí-Guajará), de 14h às 17h  

DIA 23/04

UsiPaz Padre Bruno Sechi, Benguí, de 9h às 12h.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Governador do Pará firma acordos na China; projetos são alvos de críticas


O governador do Pará, o presidente adjunto da Communications Construction Company (CCCC) e o vice-presidente executivo de Assuntos Corporativos e Institucionais da Vale (Divulgação)


PARÁ – Compondo a comitiva do presidente Lula em visita à China, na semana passada, para negociação, o governador do Estado do Pará, Helder Barbalho (MDB), firmou acordos para o “progresso” do Estado. Um verdadeiro negócio da China, com mais de 20 acordos firmados e um investimento bilionário.

Em sua primeira parada, o governador do Estado esteve, a convite da empresa BYD, na sede, em Sherzen, para conhecer as iniciativas do grupo na produção de veículos com energia renovável. Nada poderia ser mais favorável, considerando o evidente desejo em que a cidade de Belém seja a sede da COP30, onde serão discutidas propostas como esta para utilização de novas fontes de energia renovável e menos degradante.

A fabricante de veículos pode trazer recursos essenciais para a capital de Belém que sofre, atualmente, com o sucateamento do transporte público. Assim como afirmou Hélder: “É algo fundamental para a nossa realidade. A construção para preparar Belém para a COP30, mostrando ser possível o uso de energia limpa na agenda da sustentabilidade e, claro, olhando para a população, que precisa de um transporte público de qualidade”.

Não é a primeira vez que a privatização de um serviço surge como solução para a ineficiência do Estado em cumprir suas obrigações. No entanto, pensar um território como o Estado do Pará, que sofre pela exploração de grandes empresas, a exemplo da contaminação causada pela norueguesa Hydro, em regiões de Barcarena, é necessário. Os esforços para reduzir danos e poupar vidas é urgente e deve começar dentro do território.

Contradição

No dia seguinte, a agenda de reuniões do governador do Estado, com os representantes chineses, continuou. Dessa vez, com uma das maiores construtoras da China, a China Communications Construction Company (CCCC), com a qual ficou firmado o projeto de construção da Ferrovia Paraense S.A e está prevista para ser um braço da chamada Ferrovia Norte-Sul. A previsão de investimento é de R$ 10 bilhões.

“Esse é um momento muito relevante para o Estado do Pará, onde podemos concretizar um projeto histórico para estrutura logística do nosso Estado.

Assinamos o projeto para a Ferrovia do Pará. Isso representará investimentos ao nosso Estado, como a geração de empregos e desenvolvimento para os municípios que estão localizados ao longo do trajeto da ferrovia”, disse o chefe do Executivo estadual.

Helder Barbalho complementou afirmando que “o projeto faz com que o Pará, integrado à ferrovia Norte-Sul, outras hidrovias e portos, possa ser um Estado mais competitivo para o desenvolvimento da economia voltada à mineração e ao agronegócio, fortalecendo a geração de renda”.

“É um momento histórico para construir a viabilização e transformar o projeto em realidade para gerar oportunidades ao Pará”, finalizou.

Na contramão da sustentabilidade, o projeto da Ferrovia prevê interligar Vila do Conde, em Barcarena, até a região dos Carajás. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto, serão 1.319 quilômetros de extensão, cortando 23 municípios, desde Santana do Araguaia, sudeste do Estado, até Barcarena, na região do nordeste paraense. O projeto mal saiu do papel e já promete atravessar territórios de comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas.

A ferrovia cortará 23 municípios, no Estado, e visa atender interesses do setor do agronegócio e mineração. Lideranças de comunidades quilombolas e representantes de entidades da sociedade civil afirmam que o governo do Estado está violando a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) ao não realizar a consulta livre, prévia e informada sobre o projeto de construção da Ferrovia Paraense.

Sem consulta

Para o advogado da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), Ismael Moraes, associação que ajuizou cinco ações civis públicas e coletivas, na Justiça do Brasil, e uma ação na Justiça da Holanda, pressionando o governo do Estado e o grupo Hydro a reduzir a contaminação ambiental a partir das suas minas e indústrias, o projeto para construção da ferrovia não foge à regra de outros projetos implantados na Amazônia.

“Não há consulta prévia à sociedade como um todo e não há estudos prévios que garantam as relações sociais, as estabilidades dessas relações, e que façam, pelo menos, remedir graves problemas ambientais, então, é preocupante a instalação deste projeto sem que a sociedade tenha conhecimento do traçado desse projeto, porque isso deveria ser de conhecimento público, ao invés de estar mantido nesse sigilo absoluto, pois, quem vai ser afetado deve saber em que dimensão será afetado”, disse Moraes.

“Eu vejo como algo extremamente preocupante e sei que, a partir disso, irão existir efeitos desastrosos não só para a sociedade, mas também para o setor produtivo, porque, na verdade, esses projetos visam somente atender os interesses dos financiadores internacionais, com total indiferença aos efeitos locais”, concluiu.

Segundo o pesquisador e especialista em Direitos Socioambientais, que vem atuando no caso da Ferrovia do Pará, mestre Johny F. Giffoni, já existem ações judiciais questionando a forma como o Estado está se relacionando com as comunidades tradicionais. No ano de 2018, o Tribunal de Contas do Estado do Pará determinou que o Estado, antes de qualquer ato referente à ferrovia, realizasse o processo administrativo especial de consulta e consentimento com os povos indígenas, quilombolas e tradicionais que serão afetados.

“O que está acontecendo, hoje, é que o direito ao acesso de informações dessas comunidades não foi respeitado. Todos os estudos dizem que as comunidades quilombolas e indígenas, que são as únicas consideradas pelas secretarias como populações tradicionais, não são afetadas, mas quando a gente vai olhar o traçado inicial há terras indígenas que estão na zona de impacto”, argumenta o especialista.
Desrespeito
A falta de informação sobre as áreas onde seria construída a ferrovia é um dos pontos da ação movida pela defensoria, a pedido da sociedade civil e comunidades tradicionais, que solicita à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) os arquivos de GPS e coordenadas geográficas das áreas onde estão localizadas comunidades tradicionais, assentamentos rurais e unidades de conservação.
Dona Maria Socorro Costa da Silva, liderança quilombola conhecida como Socorro do Burajuba, em Barcarena, município que poderá ser afetado com a ferrovia, manifestou preocupação com os possíveis impactos do projeto.
“Nós, quilombolas de Barcarena, ainda não fomos ouvidos. Isso é uma política devastadora e ainda querem trazer eventos, sobre meio ambiente, como se fossem defensores da Amazônia. Ao longo dos anos, negocia a população como se fôssemos mercadoria barata. Os povos da floresta são trabalhadores, merecemos respeito”, disse dona Maria.
”Estão tirando tudo o que é nosso a custo desse lucro. Para quem é boa essa ferrovia? Chega. Queremos respeito. Não temos mais rio, nossos rios estão mortos, nossos sangues estão cheios de veneno e chamam isso de progresso. Progresso para quem?”, disse.
A ex-deputada Marinor Brito (PSOL), em vários de seus pronunciamentos como titular da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), alertou, por diversas vezes, o governo do Estado sobre a importância da criação de um canal, com a sociedade civil, na perspectiva de identificar os problemas graves e urgentes para um diagnóstico dos efeitos da destruição e impactos sociais surgidos com as grandes obras.
“A consulta prévia aos povos tradicionais é pré-requisito para início do licenciamento de projetos de impacto às comunidades tradicionais, para não acontecer como no Abacatal, em Ananindeua, que sofreu com o licenciamento da empresa Equatorial que se instalou a menos de 2 quilômetros do território, sem consulta prévia.“ disse Marinor em um de seus pronunciamentos.
Segundo a ex-parlamentar, a consulta prévia, livre e informada é um direito garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e deve ser cumprido para garantir que as comunidades afetadas pelas ações de grandes empreendimentos tenham suas vozes ouvidas e sua dignidade e modo de vida assegurados.
O projeto da ferrovia se assemelha a outros tão destrutivos quanto, a exemplo da Hidrelétrica de Tucuruí, Belo Monte e diversos desastres da Mineração do Estado. O desenvolvimento pensado aqui serve apenas ao capitalismo e aos seus representantes. As multinacionais seguem progredindo a custo de vidas e culturas mortas.
A memória das famílias afetadas pela ação intensiva de exploração destas grandes empresas não permite vender a perspectiva do progresso. As vidas alagadas pelas hidrelétricas, afetadas pelas barragens, os corpos contaminados pela mineração e as comunidades mortas pelo garimpo cobram para serem ouvidas. Um projeto dessa magnitude atravessa não só o território, mas a vida de dezenas de pessoas que não enxergam o espaço geográfico, apenas uma fonte de recursos.
O que vai ser ”o maior investimento da potência chinesa em outro País” pretende injetar R$ 7 bilhões na construção da ferrovia. No entanto, está claro quais e para quem são os benefícios do empreendimento.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Nos EUA, deputada do Pará participa de debate sobre clima e economia

A deputada estadual Lívia Duarte (Psol) em evento nos Estados Unidos (Divulgação)


PARÁ – A convite do “Encontro de Primavera 2023” e outros eventos relacionados ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e Grupo Banco Mundial, a deputada estadual pelo Psol do Pará Lívia Duarte participa do painel de discussão “Digitalização, clima e dívida: a agenda para bancos multilaterais de desenvolvimento”. A solenidade que acontece em Washington teve início no dia 10 e será realizado até o dia 16 deste mês para debater temas da atualidade.

O instituto independente de políticas públicas Observer Research Foundation America (ORF America) promove o evento, onde Duarte se preocupa em ampliar o debate das narrativas e vivências amazônidas. 

“É muito importante que o povo amazônida tenha voz ativa e seja protagonista na discussão sobre a crise climática, especialmente em espaços de poder global. É preciso ouvir a Amazônia por aqueles e aquelas que estão cotidianamente na luta. Vir aos Estados Unidos trazer essa vivência de quem mora, vive, trabalha e constrói uma vida na Amazônia é romper com uma ordem que nos foi imposta, pois fomos historicamente excluídos das discussões internacionais”, reafirma a deputada em seu discurso.

Com a proposta da cidade de Belém sediar a COP 30, Convenção das Nações Unidas, para debater as mudanças climáticas em 2025, os olhos estão voltados para Amazônia. Utilizar de um evento que reúne banqueiros centrais, o setor privado e representantes de diversas organizações da sociedade civil para discutir os nossos problemas, a partir do ponto de vista de quem vive e mantém a Amazônia viva é, pouco a pouco, destruir um imaginário estereotipado e desleal das muitas Amazônias. 

Duarte sabe bem da importância deste momento e acrescenta. “Eu chego aqui, mas não chego só, como a luta da nossa mãedata é coletiva, a voz de todos vocês estão comigo! Eu sou porque nós somos!“.

Clima e Amazônia

As ameaças contra a maior floresta de pé se mantém vivas, seja pela presença de atividades ilegais ou pela omissão do Estado em aplicar políticas públicas efetivas, a realidade nos mostra mais de 17% de florestas degradadas.

A Organização Não Governamental (ONG) ”WWF” lançou, no ano passado, o Relatório da Amazônia Viva 2022, com um compilado de dados sobre a situação de emergência da região. Deixar a Amazônia sem proteção também significa falar da crise climática, seus rios e florestas representam uma bomba hidrológica que auxilia na regulação do clima a nível global, não haveria como tentar frear o aumento da temperatura mundial sem a ajuda deste bioma.

Esse processo de umidificação global acontece quando a Amazônia suga o ar úmido dos oceanos para depois converter e bombear água fresca por meio dos seus rios voadores. A condensação desta transpiração das árvores em nuvens e chuvas ajuda a rebaixar a pressão atmosférica sobre as florestas. O trabalho final fica por conta dos rios voadores, que transportam essa condição de chuvas e umidades continente a dentro, suavizando o verão hemisférico.

Além dos impactos na agricultura de outros continentes, o território é o meio de subsistência para 47 milhões de pessoas, dessa forma impedir que a floresta atinja níveis irreversíveis de degradação é a primeira de muitas medidas para a região.

Pensando no auxílio das muitas comunidades amazônidas, o executivo da ORF América, Dhruva Jaishankar, afirma sobre o convite de Lívia Duarte para o debate que “Dada a necessidade urgente de reforma do financiamento do desenvolvimento, especialmente dos bancos multilaterais de desenvolvimento, seu trabalho de apoio ao desenvolvimento sustentável das comunidades locais, ao mesmo tempo em que protege os ativos climáticos globais em seu Estado, seria de grande interesse para nosso público”.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

‘Fauna e Flora Brasileira’: exposição enfatiza biodiversidade brasileira, em formato inovador, interativo e inclusivo

 

Expostas no Teatro Popular Nazareno Tourinho, a exposição fica em cartaz até o dia 23 de maio (Michel Jorge/Revista Cenarium)

PARÁ – A exposição “Fauna e Flora Brasileira” está aberta para visitação e contemplação dos acervos do naturalista e cientista Emílio Goeldi e Oswaldo Goeldi, pai e filho, em parceria com o litógrafo alemão Ernst Lohse, que retratam a biodiversidade brasileira e fomentam a preservação ambiental, em um formato inovador, interativo e inclusivo, utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada (RA). 
A RA dá vida aos originais apresentados, que pertencem ao acervo do Museu de História Natural da Suíça. Expostas no Teatro Popular Nazareno Tourinho (Largo do Carmo, Cidade Velha), em Belém, será possível vivenciar esta experiência, por meio das 70 obras que seguem em exposição até o dia 23 de maio deste ano, com entrada gratuita, visitas monitoradas, agendamentos para grupos e acessibilidade, com audiodescrição e tradução em libras.

A exposição é uma realização da Associação Artística Cultural Oswaldo Goeldi, sob curadoria de Lani Goeldi (Michel Jorge/Revista Cenarium)

A exposição é uma realização da Associação Artística Cultural Oswaldo Goeldi, sob curadoria de Lani Goeldi, bisneta do cientista e naturalista Emílio Goeldi e atual presidente da associação. Na capital paraense, conta com apoio da Prefeitura de Belém.
“Muitos paraenses não conhecem Oswaldo Goeldi, mas todos conhecem o Emilio Goeldi por causa do Museu Goeldi. O Oswaldo era filho do Goeldi. É certamente o gravurista mais importante brasileiro e é paraense, pois aqui viveu”, destaca o prefeito Edmilson Rodrigues.
“Ter aqui 70 obras representando parte da fauna e flora e pássaros amazônicos produzidos por um gênio da nossa terra, Oswaldo Goeldi, é uma honra muito grande: isso só mostra quanto Belém é um lugar de criatividade e luminosidade da alma desse povo do qual Oswaldo Goeldi faz parte. Muito obrigado à Associação que nos proporcionou mostrar ao povo de Belém essa grandiosidade de obra”, afirmou Edmilson.
Exposição
No térreo do Teatro Nazareno Tourinho, o visitante poderá conferir o acervo das aves catalogadas por Emílio Goeldi e confeccionadas por Ernst Lohse, alemão que adotou Belém como sua cidade e que, este ano, se comemora 150 anos do seu nascimento. Já na parte superior do espaço há uma coleção de flores tropicais, pouco conhecida, em xilogravuras criadas por Oswaldo Goeldi.
“A exposição contempla dois acervos. Um acervo de 50 obras que representam as aves amazônicas, que foram catalogadas pelo Emílio Goeldi entre 1900 e 1906; e os desenhos, litogravuras e aquarelaras, cujo os originais estão em Berna, na Suíça, e que foram cedidas pelo museu suíço para que fossem reproduzidas no formato que nós trouxemos para cá, que é o formato metacrilato”, explica Lani Goeldi.

A entrada é gratuita com agendamentos para grupos e acessibilidade, com audiodescrição e tradução em libras (Michel Jorge/Revista Cenarium)

Experiência virtual
“Além disso, essas imagens, foram incorporados à realidade aumentada. Então, as pessoas podem vir com seu smartphone. A gente vai ter uma monitoria, que vai estar munida de tablets e tudo mais para orientar as pessoas, mas as pessoas podem fazer uma viagem pelo espaço, sozinhas, um autoguia, e eles vão verificar o canto dos pássaros, vão poder ver os pássaros se movimentando e tudo mais. Isso gera uma interatividade e as pessoas ficam na exposição, às vezes, por quase uma hora”, disse Lani Goeldi.
Emílio Goeldi
Foi um cientista, zoólogo e naturalista suíço, que fixou residência no Brasil, em 1885. Entre os anos 1893 e 1907, morou com a família em Belém e dirigiu o Museu Paraense de História Natural e Etnografia, que mais tarde seria denominado Museu Paraense Emílio Goeldi em sua homenagem, em virtude da excelência dos serviços prestados para a ciência.
Nesse período, Goeldi desenvolveu um trabalho fundamental, a partir de visitas em grande parte da Amazônia, e realizou intensas coletas para formar as primeiras coleções zoológicas, botânicas, geológicas e etnográficas da região.
Em 1897, Goeldi contratou para o museu o fotógrafo, desenhista e litógrafo alemão Ernst Lohse, que trabalhou no Museu Goeldi por quase 20 anos. No início do século 20, fez notável documentação fotográfica no Museu Paraense, tornando-se um profundo conhecedor do ambiente amazônico.
As obras de Lohse, que representam as aves amazônicas e que compõem a mostra, foram catalogadas por Emílio Goeldi entre 1900 e 1906, publicadas no “Álbum de Aves Amazônicas” ou em alemão, “Die Vogelwelt am Amazonenstrom”.
Para enriquecimento da experiência, os visitantes poderão acessar a tecnologia de Realidade Aumentada por meio de um aplicativo e assistir a um vídeo, com uma seleção de aves brasileiras em seu habitat natural.
O Teatro Popular Nazareno Tourinho funciona de segunda a sexta-feira, das  9h às 12h e das 14h às 17h, e aos sábados, das 9h às 12h, no Largo do Carmo, na Cidade Velha.